Rapeleiro??
Eu tenho recebido muitos emails solicitando explicações sobre como são os nós, técnicas e métodos de ancoragem para o rapel. Infelizmente eu não respondo a maioria. O motivo é simples, eu tento minimizar o aparecimento de pessoas que são conhecidas pelos montanhistas como “rapeleiros”.
Rapeleiro é como os montanhistas chamam os praticantes do rapel, que diferentemente do que alguns pensam não é um esporte, mas sim uma técnica de descida utilizada na escalada para retornar do cume de uma montanha que não apresenta trilhas que permitam a descida normal. Vale ressaltar que é no rapel que acontece a maioria dos acidentes com mortes na escalada (até agora pelo menos dois acidentes com rapel foram noticiados abertamente este ano, ambos com escaladores).
A figura do “rapeleiro” é representada por um “cara radical” que não sabe usar corretamente os equipamentos que estão nas suas mãos e por isso acaba cometendo erros e matando alguém. Existem praticantes de rapel que gostam da atividade (atividade – esporte não!) e que possuem o devido conhecimento sobre os equipamentos, técnicas de ancoragem, nós e procedimentos de segurança e resgate. Esses praticantes são diferentes dos que aparecem volta e meia por aí e que acabam fazendo besteira.
Um dos problemas do rapel – além da falta de preparo técnico – é a vontade de aventurar-se do praticante que faz com que ele acabe por realizar “façanhas” que nem sempre acabam bem, como pode ser visto no vídeo abaixo. O rapel militar ou rapel tático tem função de infiltração e foi criado para permitir que uma unidade tome uma posição de assalto pronta para combate, isso faz com que eles tenham que descer de frente ou mesmo de cabeça para baixo. Essas formas de rapel vem sendo reproduzidas por aí, e nem sempre resultam em situações boas… Vai rapelar? Está em missão com um fuzil na mão? Não?? Então desça sentado na sua cadeirinha. Não invente problemas.
Outro fator que soma peso ao termo “rapeleiro” é a falta de ética e até mesmo educação de alguns praticantes de rapel. Isso costuma acontecer quando algum rapeleiro invade uma via de escalada e monta seu rapel ali, sem se preocupar em bloquear a via. A questão da educação recai sobre a bagunça e o lixo que alguns deles deixam espalhados por aí.
Uma coisa que irrita os escaladores é que quando acontece algum acidente com um rapeleiro e isso é divulgado na mídia, em muitos casos a culpa acaba caindo sobre a escalada. O que denigre a prática do esporte. Infelizmente a mídia ainda não sabe diferenciar algumas coisas.
Para evitar problemas e rótulos como “farofeiro da montanha” ou “rapeleiro” é bom seguir algumas regrinhas:
1. Muito mais do que comprar um “kit de rapel” em uma loja qualquer é preciso que primeiro você saiba usar o equipamento que está comprando. Saber usá-lo já vai fazer diferença na hora da compra. Volta e meia eu rapelo em algum lugar, a diferença é fácil de notar, eu uso um baudrier de escalada (que é bem diferente dos modelos de rapel) e que além de mais confortável, me dá mais opções de segurança, já que eu tenho o loop e as alças do baudrier ao invés de apenas uma alça como é padrão nos modelos para rapel. Mosquetão oval nem pensar e em breve eu aposento meu oito e compro um ATC. Já vi gente usando solteira no rack do baudrier e mosquetão oval no loop… Um curso sério de técnicas verticais ou mesmo um básico de montanha caem muito bem!
PS.: existem exceções é lógico. Já vi gente fazendo rapel usando prussik ou autoblock na perna, o que é raro no meio.
2. Saber fazer a ancoragem é fundamental, se não for você que a montou pelo menos saiba como ela funciona para que você possa checar se está tudo ok. Lembre-se que a sua vida depende daquele nó na corda e de outros detalhes…
3. Nada de rapelar em prédios e pontes, isso é irresponsabilidade. Faça o rapel em rochas e cuidado com as vias de escalada. Nunca monte o rapel numa via de escalada, nunca mexa no equipamento dos outros e não saia tacando sua corda montanha abaixo sem saber se existe alguém lá embaixo e sem avisar.
4. Antes de descer check o seu equipamento, Duas ou até mesmo três vezes se for necessário.
5. Não saia dando gritinhos de “uhulll” e coisas do gênero… Em geral quem procura uma montanha para escalar/subir busca uma certa paz.
6. Tem lixo? Leve de volta com você!! Por favor, é o mínimo de educação.
7. Nunca, em hipótese alguma, chame um escalador de rapeleiro. Você corre um sério risco de ser jogado lá de cima.
Brincadeiras a parte esse é o mínimo que você pode fazer para evitar ser rotulado como “rapeleiro”. E além disso você evita problemas como esse:
E lembre-se, até pessoas treinadas podem errar, veja um exemplo que aconteceu com bombeiros espanhóis durante uma simulação de resgate em montanha:

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Sobre o autorMario Nery - Um apaixonado por trilhas, escalada em rocha e gelo. Pratica montanhismo desde os 14 anos. Atualmente trabalha na área de Tecnologia da Informação.
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q isso leke sinistro o video ….
É bem complicado mesmo Icaro… Infelizmente esses casos acontecem direto por aí. Abraços
Ai Mário … tubo bem?
acabo de ler seu texto e confesso que já me deparei com a situação algumas vezes. Já escalo faz um ano e meio e estou cada dia mais interessado, mas uma coisa me deixou na dúvida… o que voce quis dizer quando escreveu “Já vi gente usando solteira no rack do baudrier e mosquetão oval no loop…”, pois não entendi…
O mosquetão oval é um problema em relação aos outros ou voce diz a respeito da solteira ficar no rack quando deveria ficar no loop…?
eh isso ai meu chapa… um abraço !
Fala Batata, tudo certo.
O “rack” da cadeirinha ao qual eu me referi suporta apenas uns kilos de carga, já que ele foi feito para transportar as suas costuras e afins. Eu já vi gente usando ele para amarrar a solteira, prendendo a solteira nele ao invés do uso dela no loop.
Quanto ao mosquetão oval, também conhecido como “malha rápida”, o uso dele deve ficar restrito a situações de ancoragem ou abandono de material. Não confunda o mosquetão oval com os HMS ou Pêra que são usados para rapel (no loop) e ancoragens que precisam de um mosquetão com maior abertura.
Consegui esclarecer as sua dúvidas? Abraços e boas montanhas!!
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