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Parque Nacional do Caparaó – Parte 2

22 July 2010 2 Comments

Segundo dia no Caparaó, uma terça-feira, acordamos por volta das 02:00 da manhã e às 02:30 estávamos do lado de fora do abrigo com nossas mochilas de ataque, headlamps, gps e rádios de comunicação e afins, para começarmos o ataque ao Pico da Bandeira e na continuação irmos até o Pico do Calçado e o Pico do Cristal.

Esse seria o dia mais interessante da trip para muitos, já que estávamos saindo para fazer três montanhas que estão na lista das dez mais altas do país.

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A imagem acima mostra uma idéia do nosso roteiro do dia. Partimos do Terreirão rumo ao Bandeira e depois passamos pelo Calçado Mirim, Calçado e finalmente o Pico do Cristal, e fechamos o ciclo seguindo novamente até o Terreirão.

Começamos a trilha em um ritmo moderado e as pessoas foram definindo suas posições ao longo da caminhada, alguns puxavam um ritmo mais forte na frente e outros iam mais devagar. A trilha pro Pico da Bandeira é bem aberta e sinalizada constantemente por marcas e setas amarelas pintadas nas rochas, quando este recurso não está disponível existem estacas com a ponta amarela sinalizando o caminho. Em muitos pontos a trilha apresenta bifurcações, mas todas são desvios da rota original que depois de alguns metros voltam a encontrar a trilha principal que leva até o Bandeira.

Duas dicas são importantes nesta trilha: leve água suficiente – não vimos pontos de água durante o caminho; e prepare a sua mochila com roupas de frio, principalmente luvas, gorro, casaco de fleece e um anorak. Esse material será usado principalmente durante o tempo que você irá passar no alto do Pico da Bandeira, lá em cima venta muito e como você estará parado a sensação térmica será de uma temperatura menor do que aquela que realmente está fazendo. Quando nós saímos de manhã a temperatura estava na faixa dos 7 ou 8 graus. No topo do Bandeira ela chegou a 6 graus, mas o vento forte criava uma sensação de temperatura menor do que isso.

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Como o nossa intenção era fazer as três montanhas em um único dia levamos fogareiros, combustível e um kit de alimentação com itens para um almoço rápido – em geral macarrão instantâneo e sopas. A alimentação mais calórica era consumida na parte da noite, para repor definitivamente o que foi perdido durante as caminhadas. Essas refeições noturnas eram basicamente compostas de kits da Liofoods.

A caminhada até o Bandeira foi tranquila e fizemos o trecho com calma em cerca de 2 horas e 30 minutos. Ficamos um bom tempo lá em cima esperando o sol nascer já que não sabíamos exatamente se o sol iria nascer as 05:20 ou 06:20. Ele escolheu a segunda opção e nós ficamos um tempo extra lá no cume, o que foi bom, pois conseguimos ajustar as câmeras sem pressa e olhar a vista das outras montanhas enquanto o sol ensaiava seus primeiros raios. Hora de ajustar as câmeras e começar a fotografar o espetáculo que estava por vir.

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Eu esperando o sol despontar, foto da Carol Emboava

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Lá vem o sol… Foto: Renan Cavichi do Blog Piá Ventura

Ficamos um bom tempo lá no alto fotografando, fazendo vídeos e batendo papo. O vento estava bem forte naquela manhã ensolarada. Mas logo depois na descida do Pico da Bandeira rumo ao Calçado já estávamos tirando as camadas externas de roupas – anoraks e fleeces – e caminhando de segunda pele ou blusa sob de um sol forte e sem ventos. Mais alguns minutos de caminhada – uns 50 minutos em um ritmo calmo – e estávamos no cume do Pico do Calçado.

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Na esquerda a vista das montanhas que ficam abaixo do Bandeira, no Espírito Santo. Na direita a vista do Pico da Bandeira a partir da trilha que vai até o Pico do Calçado

A trilha até o Calçado é tranquila e bem simples, sem apresentar nenhum problema de orientação. Já a saída do Pico do Calçado para o Pico do Cristal merece uma certa atenção, tanto na saída do Calçado quanto na chegada ao Cristal. A saída do cume do Calçado acontece por uma encosta rochosa onde existe um pequeno risco de acidentes para quem não prestar atenção no que está fazendo, após esse trecho a orientação continua simples, basta seguir na direção do Cristal e subir até o início da base da montanha, onde será necessário fazer uma escalaminhada para atingir o topo. Essa pequena escaladinha acontece sem equipamentos de proteção e mesmo não sendo nada tão complicado ela pede uma boa dose de cuidado.

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Vista do Cristal a partir do cume do Calçado, a trilha sai de um ponto mais a esquerda da foto e segue pelo vale abaixo em direção ao Cristal

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Trecho da escalaminhada da chegar no cume do Cristal, bastante atenção neste trecho

O visual do cume do Cristal é muito bonito, principalmente por que é possível ter uma boa idéia do caminho percorrido no dia e também apreciar uma vista imponente do Pico da Bandeira. Lá no Cristal é outro ponto onde venta bastante.

A descida acontece pela crista oposta a que foi usada para chegar ao cume e não apresenta dificuldades. No final desta dela existem duas possibilidades de orientação para chegar ao vale mais abaixo: é possível seguir em frente e descer um trecho bem inclinado ou fazer uma descida pela lateral esquerda da crista e sair no fundo do vale. Essa descida pela esquerda está marcada por vários tótens de pedras empilhadas, o problema é que este trecho tem uma vegetação fechada o que atrapalha bastante a caminhada (em muitos pontos a trilha simplesmente não existe). Se for possível desça direto pela frente da crista, até atingir o vale mais abaixo, depois é só atravessar o rio e subir pelo meio do vale até o Terreirão. O tracklog que estava carregado no GPS de uma das pessoas do grupo nos levou pelo pior caminho possível, descemos pela encosta da esquerda e subimos uma das paredes laterais do vale, dando uma volta desnecessária e que na verdade estávamos vendo que não era a melhor opção, mas como estávamos com o GPS acabamos seguindo o aparelho, portanto fica a dica… Devido a este problema da rota chegamos no abrigo por volta das 17:30 da tarde, já com o sol se pondo.

O dia foi bem cansativo, mas alguns ainda tiveram a coragem de enfrentar o banho frio dos chuveiros do Terreirão na volta.

Depois do nosso primeiro dia oficial de trilha, bem longo diga-se de passagem, nos restava descansar e nos preparar para a jornada do dia seguinte, uma volta leve rumo ao Vale Encantado e as suas piscinas naturais. Afinal de contas depois de tanto tempo fora do abrigo e depois de tanto perrengue tínhamos que relaxar um pouco… No próximo relato falarei do Vale Encantado e da preparação para a Pedra Roxa, uma montanha que não tem trilha e que fizemos com a navegação praticamente no visual.

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Sobre o autor
Mario Nery
- Um apaixonado por trilhas, escalada em rocha e gelo. Pratica montanhismo desde os 14 anos. Atualmente trabalha na área de Tecnologia da Informação.
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